Polícia

Coberta de fumaça, Manaus tem ar considerado péssimo e queimadas aumentam no estado

Manaus sofre com queimadas e fumaça, comprometendo a qualidade do ar.

Vanessa Almeida

Publicado 21 dias atrás em 28 de setembro de 2026

Por Vanessa Almeida

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Coberta de fumaça, Manaus tem ar considerado péssimo e queimadas aumentam no estado

Aumento das queimadas em Manaus

A região de Manaus tem enfrentado um aumento significativo no número de queimadas, afetando a qualidade do ar local. Durante o mês de setembro, aproximadamente 3.240 focos de incêndio foram registrados, abrangendo um aumento extraordinário de 244% em comparação ao mesmo intervalo do ano anterior, quando haviam sido contabilizados 942 focos. Essa elevação nos incêndios florestais está intensamente ligada às condições climáticas e à prática letiva de queimadas na agricultura.

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As áreas mais impactadas pela queimada estão concentradas nas regiões norte, leste e sul do estado, em cidades como Novo Aripuanã, Lábrea, Apuí, Careiro, Iranduba e Autazes. O aumento da atividade de incêndios levanta preocupações sobre o impacto ambiental e a saúde pública, corrompendo a qualidade do ar e expondo a população a sérios riscos de saúde.

Impactos da poluição na saúde

A péssima qualidade do ar em Manaus se traduz em várias consequências adversas para a saúde da população. Os cidadãos têm relatado constantemente sintomas como ardência nos olhos, no nariz e na garganta, consequência direta da poluição severa. Esta poluição é causada por uma elevada concentração de material particulado, proveniente das queimadas, que fica suspenso no ar por longos períodos.

Os poluentes liberados, como monóxido de carbono, dióxido de nitrogênio e especialmente as partículas PM 2,5, são preocupantes devido à sua capacidade de penetrar profundamente nos pulmões e na corrente sanguínea, podendo gerar efeitos nocivos a longo prazo na saúde. Assim, medidas urgentes são necessárias para mitigar esses efeitos e melhorar as condições de vida dos manauaras.

Qualidade do ar e padrões da OMS

A qualidade do ar em Manaus chegou a níveis alarmantes, com o município alcançando 291 µg/m³ de material particulado no dia 23 de setembro, de acordo com dados da Universidade do Estado do Amazonas. Para referência, a Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica a qualidade do ar como "boa" quando os índices variam de 0 a 25 µg/m³ e como "péssima" quando estes superam 125 µg/m³.

Em setembro, a média diária de qualidade do ar ficou acima de 30 µg/m³, que é o dobro do limite recomendado pela OMS. Essa situação exige atenção imediata por parte das autoridades de saúde pública e ambientais, a fim de reduzir os poluentes e proteger a saúde da população.

Focos de calor em números

A tabela abaixo resume o crescimento dos focos de calor em diferentes locais do Amazonas, entre 1 e 22 de setembro:

LocalFocos de Calor 2025Focos de Calor 2026Variação %
Novo Aripuanã100500400%
Lábrea200600200%
Apuí150300100%
Careiro50150200%
Iranduba100200100%
Autazes8015087.5%

Esses números evidenciam a abrupta mudança nos padrões de queimadas na região, exigindo ações rápidas e efetivas para tentar reverter essa tendência.

Consequências do El Niño

As mudanças climáticas estão diretamente ligadas ao fenômeno conhecido como El Niño. Com os padrões climáticos alterados, o Amazonas tem experimentado temperaturas mais alta e um aumento no número de focos de incêndio. Especialistas indicam que a combinação do aquecimento dos oceanos e as temperaturas elevadas contribui para condições atmosféricas que favorecem queimadas.

Segundo a pesquisadora Sonaira Silva, o aumento da temperatura e a falta de chuvas têm resultado em um ambiente propício para a propagação de incêndios. Em 22 de setembro, o estado registrou a temperatura mais elevada do ano: 38,6°C, um indicativo claro da influência do El Niño na região.

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Reação da população à fumaça

Diante do aumento da poluição do ar e a deterioração da qualidade de vida, a população tem tomado medidas de precaução, como o uso de máscaras ao sair de casa. Além disso, muitos estão reportando sintomas de desconforto devido à inalação das substâncias tóxicas presentes no ar.

As comunidades mais vulneráveis, especialmente aquelas que residem próximo às áreas afetadas pelas queimadas, estão enfrentando os piores impactos, necessitando de suporte e assistência rápida e eficaz.

Medidas de emergência da prefeitura

Em resposta à crescente crise da qualidade do ar, o governo do Amazonas, liderado pelo governador Roberto Cidade, anunciou um decreto que proíbe o uso do fogo em todo o estado. Essa ação tem como objetivo estabelecer uma situação de emergência sempre que os níveis de material particulado superem 250 µg/m³.

A prefeitura também planeja um conjunto de ações emergenciais e a longo prazo para lidar com essa grave situação. A expectativa é que, através de um monitoramento mais rigoroso e intervenções rápidas, a qualidade do ar em Manaus possa ser restaurada gradualmente.

Monitoração da qualidade do ar

A monitoração da qualidade do ar em Manaus é feita através do sistema Selva, criado pela Universidade do Estado do Amazonas. Esse sistema permite que os cidadãos tenham acesso a dados em tempo real sobre a poluição do ar em diversas áreas da cidade. Durante os últimos dias, os índices de poluição registrados têm mostrado níveis alarmantes, alcançando até 280 µg/m³.

O acompanhamento próximo dos dados de poluição é essencial para a implementação de estratégias de mitigação, já que conhecimentos precisos das condições atuais permitem que os órgãos competentes ajam de maneira mais eficiente e informada.

Saúde respiratória em alerta

Com a qualidade do ar se deteriorando a cada dia, a saúde respiratória da população em Manaus está sob constante risco. Especialistas alertam que as partículas finas, como o PM 2,5, podem causar doenças pulmonares e cardiovasculares, que podem ser particularmente prejudiciais para crianças e idosos.

As autoridades sanitárias precisam reforçar campanhas de conscientização sobre o uso de máscaras e estratégias para proteção, além de fornecer recursos para facilitar a saúde da população enquanto as condições ambientais continuam críticas.

Futuro das queimadas no Amazonas

A expectativa é preocupante, já que as questões climáticas e a temporada de queimadas ainda estão no início. Previsões e dados iniciais de órgãos como a Noaa apontam para um El Niño forte se estabelecendo, o que pode resultar em queimadas mais frequentes e intensas nos próximos meses.

A continuidade desse fenômeno exige uma revisão urgente das estratégias de combate às queimadas, pois a população, já vulnerável, poderá enfrentar dificuldades ainda maiores devido à deterioração das condições ambientais.

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